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Por: Dra. Marcella Mello

Sou médica reumatologista, com residência médica pela Santa Casa de Belo Horizonte e Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. Meu objetivo é trazer conteúdo relevante e preciso a cerca da Reumatologia. Meu compromisso é com seu entendimento sobre o assunto de uma forma leve e clara.
CRM: 71401-MG RQE Nº: 50241

OSTEOPOROSE

O QUE É?

A osteoporose é uma doença sistêmica do esqueleto, caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade do osso e maior risco de fraturas.

 

É uma condição muito prevalente, principalmente nas mulheres após os 50-65 anos (pós-menopausa) e nos homens acima de 50-70 anos.

CAUSAS

A fisiopatologia da osteoporose é multifatorial. Questões como deficiência de hormônios sexuais, hiperparatireoidismo secundário, perda óssea decorrente da diminuição da formação óssea, adipogênese da medula óssea e osteossarcopenia e sedentarismo são fatores relacionados ao desenvolvimento da doença. 

SINTOMAS/MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

A osteoporose é uma doença de evolução silenciosa, ou seja, indolor, e as manifestações clínicas surgem na ocasião de uma fratura, que geralmente ocorre nos sítios de maior fragilidade: rádio distal, vértebras, fêmur e úmero. 

 

Particularmente nos idosos, deve-se observar sinais que possam indicar aumento do risco de quedas, como dificuldade de equilíbrio ou marcha, hipotensão ortostática, fraqueza, baixa acuidade visual ou déficit cognitivo, com o objetivo de se reduzir o risco de fraturas.

FATORES DE RISCO

A história clínica deve contemplar fatores de risco para perda de massa óssea, além de achados que possam ser sugestivos de causas secundárias de osteoporose. 

 

São considerados fatores de risco para perda de massa óssea: Sexo feminino, raça branca, menopausa, idade > 60 anos, história familiar de fratura/osteoporose, tabagismo atual, etilismo (≥3 doses/dia), baixa ingesta de cálcio na dieta, sedentarismo, baixo peso (IMC< 19kg/m²), hipovitaminose D.

 

Dentre as causas mais comuns de osteoporose secundária, podemos citar: Hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, doença celíaca, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, diabetes melito tipos 1 e 2, hipogonadismo, by-pass gástrico, medicamentos como glicocorticoides (principal), quimioterápicos, lítio, antirretrovirais, dentro outros.

DIAGNÓSTICO

A osteoporose é uma doença silenciosa e não apresenta quadro clínico evidente. O diagnóstico adequado, portanto, começa pela identificação dos fatores de risco (já citados anteriormente). O exame físico pode ser normal ou mostrar consequências das fraturas, como dificuldade de marcha, aumento da cifose torácica e protusão do abdome.

 

A avaliação laboratorial nos casos de osteoporose primária geralmente é normal. Entretanto, sempre que julgar necessário, o médico deve amplia a propedêutica para investigar causas secundárias. 

 

A densitometria óssea (DXA) é o padrão ouro para se medir a densidade mineral óssea (DMO), o qual é o principal e mais preciso preditor de fratura. A finalidade da DXA é o diagnóstico da osteoporose, avaliação do risco de fratura, avaliação da necessidade de tratamento e da reposta terapêutica. 

Fonte: Uptodate 2021

 

Na presença de uma fratura considerada de baixo impacto, seja periférica ou vertebral, também é possível fazer o diagnóstico de osteoporose, mesmo na ausência de DXA. A radiografia simples é de grande auxílio nesse momento.

TEM CURA?

A osteoporose é uma doença crônica, cujo principal objetivo do tratamento é instituir medidas que reduzam os fatores de risco modificáveis, bem como reduzir o risco de fratura.

PREVENÇÃO

A perda óssea que caracteriza a osteoporose pode ser prevenida e tratada. A prevenção inicia-se na infância e é essencial durante a adolescência. Dieta com ingestão adequada de cálcio, redução da ingesta de sódio, exposição solar e prática de exercícios físicos regulares são fundamentais.

 

Além disso, evitar fatores de risco como tabagismo, ingestão excessiva de álcool, proteína e cafeína também são importantes. 

 

Em qualquer fase da vida, a ingestão dietética adequada de cálcio, vitamina D e proteínas contribui para a saúde óssea e, assim, reduz o risco de osteoporose e de fraturas no futuro.

TRATAMENTO

Além do tratamento preventivo, já abordado anteriormente, pode ser necessária a introdução de terapia medicamentosa. O objetivo terapêutico deve ser não somente o aumento da massa óssea, mas a diminuição da ocorrência de fraturas. Os principais medicamentos utilizados no tratamento da osteoporose são: Bisfosfonatos (Alendronato, Risendronato), Denosumabe (anticorpo monoclonal humano), Teriparatida (fragmento sintético do PTH), terapia de reposição hormonal (TRH) e Raloxifeno (modulador seletivo do receptor estrogênico).

 

Suplementação com cálcio e vitamina D compõem o tratamento medicamentoso.

 

Consulte um reumatologista para maiores informações.

 

CID: M 81; M 81.0; M 81.4; M 81.8; M 81.9

 

Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. José Tupinambá Sousa Vasconcelos. 2019

Reumatologia: Diagnóstico e Tratamento. Marco Antonio P. Carvalho. 5ª edição 2019

Reumatologia. Marc C. Hochberg. 6ª edição

UpToDate 2021