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Dra. Marcella Mello Reumatologista
Marcella Mello - Doctoralia.com.br

Espondilite Anquilosante: conheça os tratamentos disponíveis

A espondilite anquilosante (EA), atualmente chamada de espondiloartrite axial, é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral, causando dor e rigidez progressivas.

Embora não tenha cura, avanços na medicina possibilitam um tratamento eficaz que melhora a qualidade de vida dos pacientes. Vamos entender melhor como essa doença afeta o corpo e quais são as melhores formas de tratamento disponíveis.

O que é a Espondilite Anquilosante e como ela afeta o corpo?

A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória que afeta principalmente as articulações da coluna vertebral e da região sacroilíaca (onde a coluna se conecta com a pelve). Com o tempo, o processo inflamatório pode levar à fusão das vértebras, causando limitação severa dos movimentos e perda de flexibilidade.

Em estágios avançados, a coluna pode assumir uma posição fixa e curvada para frente, o que compromete a postura e a mobilidade. As articulações periféricas do corpo, como tornozelos, joelhos, quadris e mãos, também podem ser acometidos. 

Os sintomas mais comuns incluem dor lombar persistente, rigidez matinal e fadiga. Esses sinais são frequentemente confundidos com dores musculares comuns, o que pode atrasar o diagnóstico e prejudicar o tratamento precoce.

Diagnóstico e importância do acompanhamento médico

O diagnóstico precoce da espondilite anquilosante é fundamental para evitar complicações. O reumatologista é o especialista indicado para avaliar os sintomas e solicitar exames específicos, como radiografias, ressonância magnética e testes genéticos (como a presença do gene HLA-B27, que pode estar associado à doença).

O acompanhamento médico contínuo é essencial para monitorar a progressão da doença e ajustar o tratamento conforme necessário. Além disso, permite a prevenção de complicações, como comprometimento respiratório devido à rigidez da caixa torácica e problemas cardiovasculares associados.

Possíveis tratamentos para Espondilite Anquilosante

O tratamento da espondilite anquilosante envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando medicamentos, fisioterapia, modificações no estilo de vida e, em casos extremos, cirurgia.

Medicamentos

Anti-inflamatórios: os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, são a primeira linha de tratamento para aliviar a dor e reduzir a inflamação.

DMARDs (Drogas Modificadoras do Curso da Doença): DMARDs tradicionais, como sulfassalazina e metotrexato, especialmente se houver envolvimento articular periférico (joelhos, tornozelos etc.).

Imunobiológicos: para pacientes que não respondem aos anti-inflamatórios, medicamentos biológicos como inibidores do fator de necrose tumoral (TNF), como adalimumabe e infliximabe, ou inibidores da interleucina 17, como secuquinumabe, podem ser indicados. Esses medicamentos ajudam a reduzir a atividade inflamatória e retardar a progressão da doença.

Fisioterapia e exercícios recomendados

A fisioterapia é um pilar fundamental do tratamento. Os exercícios ajudam a manter a mobilidade, reduzir a dor e melhorar a postura. Algumas atividades recomendadas incluem:

  • Alongamentos para manter a flexibilidade da coluna.
  • Exercícios de fortalecimento para os músculos do tronco.
  • Práticas de baixo impacto, como natação e pilates, que ajudam na mobilidade sem sobrecarregar as articulações.

Mudanças no estilo de vida e controle da dor

Manter um estilo de vida saudável pode fazer uma grande diferença no controle dos sintomas da espondilite anquilosante:

  • Evitar o sedentarismo: o movimento constante é essencial para evitar a rigidez articular.
  • Postura correta: dormir em um colchão firme e evitar curvar-se excessivamente ajudam a minimizar a progressão da doença.
  • Dieta balanceada: alimentos como peixes ricos em ômega-3, frutas e vegetais, ajudam no controle da inflamação.
  • Evitar o tabagismo: o cigarro pode acelerar a progressão da doença e comprometer a saúde respiratória.

Cirurgia: quando é indicada?

A cirurgia para espondilite anquilosante é rara e reservada para casos muito graves. Pode ser considerada quando:

  • O paciente apresenta deformidade severa da coluna, que compromete a qualidade de vida.
  • Existem danos irreversíveis nas articulações do quadril, exigindo uma substituição articular (prótese de quadril).
  • fraturas na coluna vertebral devido à fragilidade óssea causada pela fusão das vértebras.

A decisão pela cirurgia deve ser feita com cautela, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.

Dúvidas comuns sobre o tratamento

A espondilite anquilosante pode ser curada? Não há cura, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas e impedir a progressão da doença.

Quem tem EA pode praticar atividades físicas? Sim! O exercício é essencial para manter a mobilidade e reduzir a dor. Apenas atividades de alto impacto devem ser evitadas.

Os medicamentos biológicos são seguros? Sim, mas precisam de acompanhamento médico rigoroso para monitorar possíveis efeitos colaterais e ajustar a dose conforme necessário.

A doença pode afetar órgãos além da coluna? Sim, pode causar inflamação nos olhos (uveíte), pulmões e sistema cardiovascular.

Como saber se o tratamento está funcionando? A redução da dor, melhora da mobilidade e exames que mostram menor atividade inflamatória são sinais de sucesso.

Com um tratamento adequado e um acompanhamento médico regular, é possível levar uma vida ativa e reduzir os impactos da espondilite anquilosante. A chave está na combinação de medicamentos, fisioterapia e um estilo de vida saudável para manter o bem-estar a longo prazo.

Referências

Moreira, C. et al. Livro da SBR, 3ª Ed. Editora Manole, 2023

Hochberg MC. Rheumatology, 8th ed. Philadelphia: Elsevier; 2023.

Dra. Marcella Mello
Dra. Marcella Mello
Sou médica reumatologista, com residência médica pela Santa Casa de Belo Horizonte e Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. Meu objetivo é trazer conteúdo relevante e preciso acerca da Reumatologia. Meu compromisso é com seu entendimento sobre o assunto de uma forma leve e clara. CRM: 71401-MG RQE Nº: 50241