A espondilite anquilosante (EA), atualmente chamada de espondiloartrite axial, é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral, causando dor e rigidez progressivas.
Embora não tenha cura, avanços na medicina possibilitam um tratamento eficaz que melhora a qualidade de vida dos pacientes. Vamos entender melhor como essa doença afeta o corpo e quais são as melhores formas de tratamento disponíveis.
O que é a Espondilite Anquilosante e como ela afeta o corpo?
A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória que afeta principalmente as articulações da coluna vertebral e da região sacroilíaca (onde a coluna se conecta com a pelve). Com o tempo, o processo inflamatório pode levar à fusão das vértebras, causando limitação severa dos movimentos e perda de flexibilidade.
Em estágios avançados, a coluna pode assumir uma posição fixa e curvada para frente, o que compromete a postura e a mobilidade. As articulações periféricas do corpo, como tornozelos, joelhos, quadris e mãos, também podem ser acometidos.
Os sintomas mais comuns incluem dor lombar persistente, rigidez matinal e fadiga. Esses sinais são frequentemente confundidos com dores musculares comuns, o que pode atrasar o diagnóstico e prejudicar o tratamento precoce.
Diagnóstico e importância do acompanhamento médico
O diagnóstico precoce da espondilite anquilosante é fundamental para evitar complicações. O reumatologista é o especialista indicado para avaliar os sintomas e solicitar exames específicos, como radiografias, ressonância magnética e testes genéticos (como a presença do gene HLA-B27, que pode estar associado à doença).
O acompanhamento médico contínuo é essencial para monitorar a progressão da doença e ajustar o tratamento conforme necessário. Além disso, permite a prevenção de complicações, como comprometimento respiratório devido à rigidez da caixa torácica e problemas cardiovasculares associados.
Possíveis tratamentos para Espondilite Anquilosante
O tratamento da espondilite anquilosante envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando medicamentos, fisioterapia, modificações no estilo de vida e, em casos extremos, cirurgia.
Medicamentos
Anti-inflamatórios: os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, são a primeira linha de tratamento para aliviar a dor e reduzir a inflamação.
DMARDs (Drogas Modificadoras do Curso da Doença): DMARDs tradicionais, como sulfassalazina e metotrexato, especialmente se houver envolvimento articular periférico (joelhos, tornozelos etc.).
Imunobiológicos: para pacientes que não respondem aos anti-inflamatórios, medicamentos biológicos como inibidores do fator de necrose tumoral (TNF), como adalimumabe e infliximabe, ou inibidores da interleucina 17, como secuquinumabe, podem ser indicados. Esses medicamentos ajudam a reduzir a atividade inflamatória e retardar a progressão da doença.
Fisioterapia e exercícios recomendados
A fisioterapia é um pilar fundamental do tratamento. Os exercícios ajudam a manter a mobilidade, reduzir a dor e melhorar a postura. Algumas atividades recomendadas incluem:
- Alongamentos para manter a flexibilidade da coluna.
- Exercícios de fortalecimento para os músculos do tronco.
- Práticas de baixo impacto, como natação e pilates, que ajudam na mobilidade sem sobrecarregar as articulações.
Mudanças no estilo de vida e controle da dor
Manter um estilo de vida saudável pode fazer uma grande diferença no controle dos sintomas da espondilite anquilosante:
- Evitar o sedentarismo: o movimento constante é essencial para evitar a rigidez articular.
- Postura correta: dormir em um colchão firme e evitar curvar-se excessivamente ajudam a minimizar a progressão da doença.
- Dieta balanceada: alimentos como peixes ricos em ômega-3, frutas e vegetais, ajudam no controle da inflamação.
- Evitar o tabagismo: o cigarro pode acelerar a progressão da doença e comprometer a saúde respiratória.
Cirurgia: quando é indicada?
A cirurgia para espondilite anquilosante é rara e reservada para casos muito graves. Pode ser considerada quando:
- O paciente apresenta deformidade severa da coluna, que compromete a qualidade de vida.
- Existem danos irreversíveis nas articulações do quadril, exigindo uma substituição articular (prótese de quadril).
- Há fraturas na coluna vertebral devido à fragilidade óssea causada pela fusão das vértebras.
A decisão pela cirurgia deve ser feita com cautela, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.
Dúvidas comuns sobre o tratamento
A espondilite anquilosante pode ser curada? Não há cura, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas e impedir a progressão da doença.
Quem tem EA pode praticar atividades físicas? Sim! O exercício é essencial para manter a mobilidade e reduzir a dor. Apenas atividades de alto impacto devem ser evitadas.
Os medicamentos biológicos são seguros? Sim, mas precisam de acompanhamento médico rigoroso para monitorar possíveis efeitos colaterais e ajustar a dose conforme necessário.
A doença pode afetar órgãos além da coluna? Sim, pode causar inflamação nos olhos (uveíte), pulmões e sistema cardiovascular.
Como saber se o tratamento está funcionando? A redução da dor, melhora da mobilidade e exames que mostram menor atividade inflamatória são sinais de sucesso.
Com um tratamento adequado e um acompanhamento médico regular, é possível levar uma vida ativa e reduzir os impactos da espondilite anquilosante. A chave está na combinação de medicamentos, fisioterapia e um estilo de vida saudável para manter o bem-estar a longo prazo.